Startup de conteúdo financeiro fundada pelo trader e analista Alison Correia aposta em linguagem informal para ensinar de leitura de fluxo a análise fundamentalista

“Queremos entreter, educar e recomendar o que comprar e o que vender no mercado, como um show para a TV. É uma ruptura da forma careta como todos fazem, com gráfico e webcam.” É assim que Alison Correia descreve os planos da Top Gain, startup que ele comanda como CEO e que fundou no meio da pandemia, em maio passado, como um portal de informações para investidores, produzido por analistas e traders como ele.

Experiente investidor, Correia é uma celebridade das redes: tem 98.000 seguidores no Instagram e 84.000 inscritos no seu canal no YouTube, em que se dedica a falar e ensinar algo que pratica há mais de quinze anos: o day trade e a análise de mercado.

“Idealizamos a Top Gain para ampliar o conhecimento e a educação sobre o mercado financeiro, mas de uma maneira diferente. É parecido com o que aconteceu com o futebol: havia o Galvão Bueno e comentaristas de terno e gravata e daí chegaram o Tiago Leifert, o Ivan Moré e outros com All-Star e jeans, mas a informação era a mesma”, compara Correia, lembrando da mudança de linguagem adotada pela Globo uma década atrás. “A informação de qualidade que queremos levar será a mesma”, afirma o empreendedor.

A empresa está montando um estúdio em sede nova no bairro do Itaim, em São Paulo, para aumentar a qualidade das transmissões e viabilizar o que Correia chama de TV Top Gain. Além da estrutura física, a startup contratou profissionais de emissoras de TV para a produção do “show” do mercado. A transmissão é uma parte do modelo de negócios que alimenta outras áreas.

Com uma equipe de 25 pessoas, das quais 10 analistas, a startup se propõe a ensinar desde noções básicas do mercado a quem não conhece nada de finanças até técnicas de day trade utilizadas pelos bancos, como o tape reading, ou leitura de fluxo de ordens.

Em um dos cursos com conteúdo mais avançado, Correia opera junto com os alunos ao vivo durante uma semana. “O ‘couro come’. O aluno compra, vende, compra, acerta, perde, vamos ajustando no meio do pregão. Pouca teoria e muita prática”, resume o professor. Ele diz que 90% dos alunos já investiam antes da Top Gain.

O modelo de ensino inclui comunidades fechadas para os assinantes com analistas e traders, com transmissão mais seleta. Outros diferenciais são o acesso a relatórios, uma biblioteca educacional, masterclass e programações que não entram no YouTube.

Em pouco mais de seis meses, a Top Gain já exibe números que sinalizam que o negócio começa a ganhar escala: ela tem mais de 2.000 assinantes, 18.600 inscritos no YouTube e uma média próxima de 20.000 visualizações na plataforma.

Os planos preveem chegar a 200 mil inscritos e a 10.000 assinantes até o fim do ano, conta o co-fundador. Outra meta é ir além da TV Top Gain e acertar uma parceria para levar o conteúdo a uma emissora de sinal aberto ou fechado.

A carreira no mercado inclui a experiência, nos anos 2000, como operador do pregão em viva-voz na antiga BM&F (que deu origem à B3 ao se fundir com a Bovespa) e uma passagem pela XP Investimentos, em que ajudou a montar a área de renda variável e na qual chegou a sócio. Foi professor da BM&F Bovespa e estima já ter formado mais de 10.000 alunos.

A febre do day trade

Apesar de amplificar o conhecimento sobre o day trade para novos investidores, Correia diz que a técnica não é para todo mundo.

“Eu costumo dizer que day trade é a Fórmula 1 do mercado, nem todo mundo vai chegar lá e nem todo mundo vai ganhar dinheiro, é muito difícil. O mercado financeiro é para todos; o day trade, não. É ilusão achar que qualquer um pode fazer isso, muitos não têm nem estômago nem perfil. Mas, para o mercado, sim”, afirma o experiente trader.

“Mas o que não pode acontecer é a pessoa desistir do mercado e deixar o dinheiro parado no banco, na poupança”, completa. Ele se diz otimista com o momento do mercado e as perspectivas de curto e médio prazo, ressaltando que a educação financeira terá papel fundamental nesse processo, para preparar os novos investidores.

“O mercado ainda está no início de um forte movimento tanto de entrada de pessoas físicas na bolsa como de preço para o Ibovespa. Eu acredito que nos próximos anos a bolsa vai subir muito mais e que estamos entrando no início de uma nova cultura. A taxa de juros pode subir, mas não será capaz de tirar as pessoas da renda variável”, afirma.

 

 

Por Exame